Não sei se Newton era pai, mas se fosse saberia (informado pela mãe de seus filhos) que "Para cada não ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade." Assim sendo, são as mães que geralmente sofrem as conseqüências das não-ações.
Explico: Se uma filha ou um filho, seja lá em que parte do mundo esteja, não telefonar para dizer como está, a mãe tem insônia.
Sunday, February 25, 2007
Friday, February 23, 2007
Aulas de piano
Comecei a aprender piano ainda muito pequena, tão pequena que as notas das partituras tinham desenhos por cima para que eu pudesse identificá-las. A nota dó tinha um 'dado' desenhado ao lado, o ré uma 'coroa de rei', o mi um 'gato', o fá uma 'faca', o sol é lógico que tinha um 'sol cheio de raios', e o lá .... não me lembro bem, mas acho que era um 'lápis'. Se esse processo mnemônico parece lógico para alguém, posso garantir que para mim, com mais ou menos cinco anos, não era. Eu achava a letra dó mais parecida com o planeta saturno do que com um dado... aliás, em nada me lembrava um dado, pois este tem a forma de cubo enquanto que a nota dó era ovalada com um traço no meio; para mim era saturno por qualquer ângulo. Idem para as demais notas. A coroa do rei me lembrava contos de fadas e o gato, a Dona Chica. Com exceção do sol, as demais só complicavam.
Minha professora era uma prima/tia (mais para tia porque já devia ter uns 40 anos), muito boazinha e alegre, mas não quando estavamos ao piano. Não lembro quanto tempo durava a aula, mas meu irmão mais velho começava primeiro, depois minha irmã, e o tempo que sobrava era para mim, quando sobrava. Lembro que muitas vezes me sentia feliz de conseguir tocar alguma sequência de notas sem errar. Mas imagino que aguentar três crianças devia ser muito irritante para minha prima/tia e na minha vez ela já não tinha paciência. Esticava minha mão ao máximo para que eu alcançasse de dó a dó, e gritava por eu não conseguir. Se com a mão que tenho hoje já não é tão simples, imagine naquele tempo! O pior de tudo era quando eu errava e ela me batia no meio da cabeça com os nós dos dedos com seu punho fechado. Covardia... eu não podia nem reclamar.
Minha prima/tia faleceu neste carnaval, já velhinha, imagino que ainda sorridente já que não ensina piano há muito tempo. Há mais de 15 aos que não a vejo. Ainda sinto os 'coques' na cabeça (é assim que ela chamava sua ação disciplinatória). Não sei ler partitura e só toco três músicas no piano... as três que ela me ensinou.
Minha professora era uma prima/tia (mais para tia porque já devia ter uns 40 anos), muito boazinha e alegre, mas não quando estavamos ao piano. Não lembro quanto tempo durava a aula, mas meu irmão mais velho começava primeiro, depois minha irmã, e o tempo que sobrava era para mim, quando sobrava. Lembro que muitas vezes me sentia feliz de conseguir tocar alguma sequência de notas sem errar. Mas imagino que aguentar três crianças devia ser muito irritante para minha prima/tia e na minha vez ela já não tinha paciência. Esticava minha mão ao máximo para que eu alcançasse de dó a dó, e gritava por eu não conseguir. Se com a mão que tenho hoje já não é tão simples, imagine naquele tempo! O pior de tudo era quando eu errava e ela me batia no meio da cabeça com os nós dos dedos com seu punho fechado. Covardia... eu não podia nem reclamar.
Minha prima/tia faleceu neste carnaval, já velhinha, imagino que ainda sorridente já que não ensina piano há muito tempo. Há mais de 15 aos que não a vejo. Ainda sinto os 'coques' na cabeça (é assim que ela chamava sua ação disciplinatória). Não sei ler partitura e só toco três músicas no piano... as três que ela me ensinou.
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